Hormuz segue fechado à espera do bloqueio naval de Trump
- Soteropolitano Notícias
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Foto: Reprodução
A confusa ordem do presidente Donald Trump para o bloqueio naval do estreito de Hormuz fez cessar o tráfego que já era mínimo na via que, antes da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, escoava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado.
Segundo monitores de tráfego marítimo, apenas 2 navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região nesta segunda-feira (13), ante 4 na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7).
No domingo (12), o presidente americano determinou o bloqueio para qualquer navio que tenha pagado o pedágio imposto pelo Irã na semana passada. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais.
Com isso, um petroleiro precisa pagar em criptomoedas US$ 1 por barril de óleo transportado, por exemplo. Diante do fracasso da rodada de negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana, Trump então anunciou o bloqueio.
Já quem irá executá-lo, a Marinha sob o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, disse que irá interceptar navios de quaisquer países que estejam vindo ou indo a portos iranianos, que é algo diferente de um hipotético petroleiro de bandeira panamenha com produto do Kuwait que tenha aceitado pagar a taxa do Irã.
Nesta manhã de segunda, uma nota da Marinha a navegadores disse que "o bloqueio não vai impedir o trânsitoneutro pelo estreito para ou de destinações não iranianas".
Trump disse que teria ajuda de outros países em seu bloqueio, sem os nominar. O Reino Unido e a França farão uma reunião para debater a situação, mas o premiê britânico, Keir Starmer, voltou a dizer "esta não é nossa guerra" e que não irá participar de missões ofensivas.
O republicano, que busca deixar a impopular guerra que iniciou em 28 de fevereiro, disse que o cessar-fogo está valendo, exceto que os iranianos ataquem algum navio "pacífico" ou americano. Ele disse que "não se importa" se haverá ou não novas negociações com o Irã, abrindo uma janela para deixar o conflito congelado.
Já a Marinha de Teerã disse, em comunicado, considerar o bloqueio ridículo e que manterá o esquema com sua rota ilegal com pedágio. A Força reafirmou que irá considerar qualquer movimentação militar em Hormuz uma violação do cessar-fogo.
E assim segue a disputa narrativa, com ambos os lados buscando dizer estar em vantagem. O controle de Hormuz é a principal ficha de barganha de Teerã no conflito, devido ao impacto nos preços globais de energia.
A confusão tem hora para ser testada: 11h desta segunda, no horário de Brasília. Na vizinhança imediata de Hormuz há pelo menos dois navios de guerra americanos, os destróieres USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy.
No sábado, os EUA disseram que ambos os navios navegaram por Hormuz com apoio de drones subaquáticos, visando identificar e destruir minas. O Irã não comentou a afirmação, e o fato é que não se sabe quais as atuais capacidades costeiras do país após os intensos bombardeios a que foi submetido.
Há pelo menos outros seis navios deste tipo, armados com sistemas antimísseis, na região próxima do lado "de fora" de Hormuz, o golfo de Omã, que leva ao oceano Índico. A Marinha iraniana em si parece ter sido dizimada pelos EUA, que afirmaram ter destruído cerca de 160 de suas embarcações.
Mas o perigo para navios está nas minas e no emprego de drones e mísseis pelos iranianos. Os aviões robôs podem fazer grandes danos em petroleiros e cargueiros civis, mas são os modelos de cruzeiro antinavios que preocupam os rivais: eles mal foram vistos em ação na guerra, o que faz supor que Teerã os guardou.
O alcance máximo dos modelos iranianos do tipo é 700 km, e em médio atingem alvos a 300 km. Isso levou o grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, operando na guerra, a se proteger mais ao sul da costa de Omã, por exemplo.
Enquanto a novela naval se desenrola, a guerra continua na frente libanesa, onde Israel não incluiu o combate ao Hezbollah no cessar-fogo. Nesta segunda, houve bombardeios que mataram ao menos nove pessoas no país vizinho, e as forças de Binyamin Netanyahu anunciaram que irão tomar controle da cidade de Bint Jbeil, perto da fronteira.







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