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Candidatos divergem sobre concessões, estatização e parcerias em infraestrutura

Soteropolitano Notícias
há 5 horas
4 min de leitura

Fotos: Redes Socias via @acmneto @ronaldomansur.psol @jeronimorodriguesba


Com abordagens que variam entre a continuidade de grandes obras em articulação com a União, a centralidade do investimento público estatal e a ampliação da participação da iniciativa privada, os três principais candidatos, ACM Neto (União), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL), divergem em propostas de infraestrutura no executivo baiano. 


Os programas de governo dos três principais candidatos ao governo da Bahia nas eleições de 2026, quais são suas ideias para a infraestrutura do estado. Nesta reportagem, serão destacadas as principais propostas dentro dos planos de governo. 

 

Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que o Brasil investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual inferior aos 4,5% considerados necessários para sustentar níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e ampliar a competitividade do país.

 

Na Bahia, os desafios também aparecem em indicadores setoriais. Segundo o Índice de Infraestrutura do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o estado registra 47,86 pontos e ocupa a 14ª colocação no ranking nacional, refletindo gargalos em áreas como saneamento básico, mobilidade urbana e meio ambiente.

 

Embora os três programas defendam a expansão da infraestrutura como instrumento de desenvolvimento econômico e integração regional, divergem sobre o papel do governo federal, do Estado e do capital privado na execução dos projetos.

 

JERÔNIMO RODRIGUES (PT)

O candidato petista pauta sua proposta na continuidade e ampliação de grandes obras estruturantes, destacando a articulação com o Governo Federal por meio do Novo PAC, programas habitacionais e financiamentos do BNDES.

 

Em seu balanço de gestão, o candidato alega que foi feita a realização de intervenções em 8,1 mil quilômetros de rodovias estaduais entre 2023 e 2026, defendendo a manutenção da capacidade de investimento do estado associada à captação de recursos federais.

 

As propostas apresentadas por Jerônimo Rodrigues incluem:

  • Infraestrutura Rodoviária: pavimentação e recuperação de 4 mil quilômetros de rodovias baianas em todos os territórios de identidade, além da melhoria de estradas vicinais e acessos a assentamentos, comunidades rurais e territórios tradicionais;

  • Ponte Salvador–Ilha de Itaparica: continuidade da execução da obra, considerada estratégica para integrar a Região Metropolitana de Salvador, o Recôncavo e o Baixo Sul;

  • Ferrovias: articulação com a União para expansão dos trechos I e II da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e do Porto Sul, além do acompanhamento dos investimentos da VLI/Ferrovia Centro-Atlântica (FCA);

  • Mobilidade Urbana: conclusão do Tramo IV da Linha 1 do Metrô de Salvador (Lapa–Campo Grande), expansão da rede do VLT e desenvolvimento, em parceria com o Governo Federal, do VLT Camaçari–Alagoinhas;

  • Logística e Energia: implantação de um Parque Logístico no Centro Industrial de Aratu (CIA/Norte) e articulação para conclusão de 6 mil quilômetros de linhas de transmissão voltadas ao escoamento de energia renovável;

  • Prevenção e Drenagem: ampliação de obras de contenção de encostas e de sistemas de drenagem e macrodrenagem urbanas.

     

RONALDO MANSUR (PSOL)

O candidato Ronaldo Mansur estrutura suas diretrizes na ampliação do investimento público e no fortalecimento do controle estatal da infraestrutura, posicionando-se contra concessões e privatizações de serviços considerados estratégicos. Em seu diagnóstico, Mansur aponta o envelhecimento da malha rodoviária estadual e a falta de manutenção como fatores que elevam os custos logísticos e dificultam a circulação de mercadorias.

 

O candidato também critica a transferência de rodovias federais para os estados, por considerar que a medida ampliou os encargos dos governos estaduais sem a correspondente ampliação de recursos. Entre as principais propostas estão:

  • Investimento e Planejamento Estatal: programa de investimentos públicos para modernização da logística estadual, mantendo o controle estatal sobre os ativos considerados estratégicos;

  • Diversificação de Modais: expansão dos transportes ferroviário, fluvial e metroviário e maior integração entre os diferentes sistemas;

  • Metrô de Salvador: ampliação da rede metroviária acompanhada da abertura de investigações sobre a gestão do sistema;

  • Ordenamento Urbano e Ambiental: integração entre planejamento urbano, mobilidade e uso do solo sob coordenação estatal;

  • Infraestrutura Comunitária: realização de pequenas obras locais por meio da contratação de trabalhadores das próprias comunidades, com foco na geração de emprego e renda.


ACM NETO (UNIÃO)

O candidato Antonio Carlos Magalhães Neto apresenta um diagnóstico crítico sobre o que classifica como "isolamento logístico" da Bahia. Segundo ele, o estado enfrenta dificuldades decorrentes da falta de integração entre modais de transporte e da demora na execução de obras consideradas estratégicas.

 

O candidato também aponta problemas na concessão das BRs 116 e 324 à ViaBahia, menciona a extinção do Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia (Derba) e critica a condução do projeto da Ponte Salvador–Itaparica ao longo dos governos petistas. Para reestruturar o setor, ACM Neto propõe:

  • Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI): criação de uma estrutura voltada à formulação e gestão de concessões, PPPs e processos de desestatização, incorporando a Agerba e a Agersa;

  • Recuperação Rodoviária: elaboração de um plano emergencial para rodovias federais e estaduais, com definição de responsabilidades e busca de financiamento externo;

  • Malha Ferroviária: cobrança ao Governo Federal e às concessionárias pela conclusão do Trecho 1 da FIOL e pela operação do Porto Sul, além do incentivo a ramais ferroviários regionais e portos secos;

  • Setor Aeroviário: atualização do Plano Aeroviário da Bahia, requalificação de aeroportos do interior e estudos para implantação de um novo aeroporto no Litoral Norte;

  • Portos e Hidrovias: recuperação do Porto Fluvial de Juazeiro e apoio a projetos logísticos ligados à exploração mineral;

  • Transporte Aquaviário e Mobilidade: elaboração de um plano de transporte aquaviário na Baía de Todos os Santos e integração entre metrô, VLT e sistemas metropolitanos de transporte.

 

DIFERENÇA ENTRE ELES

O atual governador Jerônimo Rodrigues aposta na continuidade de empreendimentos com participação decisiva do Governo Federal, priorizando obras em andamento e novos investimentos vinculados ao Novo PAC, uma ideia de 'continuidade' com o governo federal.

 

Ronaldo Mansur defende uma atuação mais interventiva do Estado, com ampliação dos investimentos públicos e menor dependência de concessionárias privadas. ACM Neto, por sua vez, propõe algo em contraposição a Mansur, para ampliar a participação do capital privado por meio de concessões, parcerias público-privadas e mecanismos de atração de investimentos.

 

Apesar das diferenças, todos os três candidatos concordam na defesa da expansão da malha de transportes, da melhoria da logística estadual e da ampliação da infraestrutura como estratégia para estimular o desenvolvimento econômico e a integração territorial da Bahia.

 
 
 

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