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Bolsa e dólar sobem com guerra no Oriente Médio e reunião do Copom no radar

  • Soteropolitano Notícias
  • 4 de ago.
  • 4 min de leitura

Foto: Reprodução / Magnific


A Bolsa avança nesta terça-feira (4), com as negociações envolvendo a guerra no Oriente Médio aumentando o apetite dos investidores. 


A decisão de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária, do BC (Banco Central), marcada para esta quarta-feira (5), também se mantém no radar dos analistas. 


Por volta das 14h05, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,21%, a 178.390 pontos, em linha com as Bolsas do exterior. 


No mesmo horário, o dólar também avançava. A moeda norte-americana subia 0,45%, a R$ 5,111. 


Na segunda-feira (3), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações entre Washington e Teerã "estão ocorrendo". O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou algo parecido. 


"Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito", disse Bessent, em entrevista à CNBC nesta terça-feira (4). 


Questionado se um acordo permitiria ao Irã cobrar pedágio dos navios, o secretário respondeu: "Acredito que haveria liberdade de circulação". 


As declarações contrariam a versão de Teerã, que, na segunda-feira, negou haver negociações em andamento com Washington. 


Durante o fim de semana, segundo Trump, os EUA já haviam suspendido novos ataques ao Irã em busca de um acordo para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo. 


O republicano classificou as negociações como "a última chance" do Irã assinar um acordo. O presidente americano acusa as lideranças do país de agirem de forma contraditória ao pedirem reuniões para, em seguida, negarem diálogo com os americanos. 


O país persa vem rejeitando publicamente qualquer conversa com Washington desde que um memorando de entendimento firmado em junho, destinado a encerrar o conflito, fracassou, com a retomada das ofensivas no mês passado. 


Apesar do conflito de versões, a perspectiva de um possível acordo segue animando os investidores. Nesta terça-feira, o petróleo Brent, referência global da commodity, recuava 5,3% no contrato para outubro, cotado a US$ 79,37 por barril. 


Com a queda do petróleo, as Bolsas avançavam no exterior. Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiam 1,66%, 1,88% e 2,38%, respectivamente, impulsionados também pelos balanços da Palantir e da Caterpillar. Ao longo do pregão, S&P 500 e Dow Jones renovaram máximas históricas intradiárias, aos 7.754 e 54.190 pontos. 


"O movimento é impulsionado principalmente pelo fluxo de notícias que indica uma redução das tensões no Oriente Médio. Com isso, a gente acaba vendo uma volta do apetite por risco, o que sustenta esse rali das Bolsas globais", afirma Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue. 


Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, destaca que a queda do petróleo também pressiona o real. 


"Como o Brasil é um exportador líquido de petróleo, essa queda acaba reduzindo a receita comercial do país. Em outras palavras, significa uma entrada menor de dólares via exportações, o que pressiona a taxa de câmbio ao reduzir a oferta da moeda norte-americana no mercado doméstico." 


Na agenda doméstica, o destaque fica para a reunião do Copom, que definirá a taxa básica de juros brasileira, a Selic. O encontro do colegiado começa nesta terça e termina na quarta-feira. 


Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano. Analistas consultados pela Bloomberg projetam uma redução para 14% nesta quarta-feira. 


Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. O resultado é o mais recente sugerindo desaceleração da atividade econômica no Brasil. 


"É um resultado negativo, que reflete a política monetária contracionista do Copom. Esse dado mais fraco acaba corroborando a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual", diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. 


O dado reforça uma tendência observada em outros indicadores da atividade e da inflação. No final de julho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho mostrou uma desaceleração na alta de preços do Brasil. A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou a 0,06%, ante mediana de 0,22% dos economistas consultados pela Bloomberg. 


No boletim Focus da última segunda, os economistas reduziram a projeção para a taxa básica de juros ao fim deste ano. Agora, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,75%, uma queda de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento da semana passada. 


Caso o corte na Selic se confirme, cairá a atratividade da estratégia "carry trade" —em que investidores captam recursos em economias com taxas baixas, como a americana ou a japonesa, para aplicá-los em mercados com juros mais alto, caso do Brasil, se beneficiando dessa diferença. 


"Juros menores reduzem a atratividade relativa dos ativos brasileiros para o investidor estrangeiro, o que também contribui para o enfraquecimento do real", diz Leonel Oliveira Mattos, da StoneX.

 
 
 

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