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Alunos de rede estadual pedem menos faltas de docentes e melhor estrutura, mostra Datafolha

Soteropolitano Notícias
há 11 minutos
4 min de leitura

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil


Os estudantes de escolas públicas querem aprender mais, e o trabalho dos professores está no centro dessa expectativa: esperam aulas melhores, mais docentes e redução do número de profissionais ausentes. 


Os alunos ainda almejam uma escola com melhor estrutura, e o acesso à formação técnica é amplamente valorizado. 


O cenário vem de nova pesquisa do Datafolha, encomendada pelo movimento Todos pela Educação, com estudantes dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e do ensino médio. Foram ouvidos 5.296 alunos de redes estaduais, de todas as regiões, para compreender como eles avaliam a escola e o que esperam dos próximos governadores. 


A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual para mais ou para menos na amostra total e de 2 pontos para cada etapa de ensino, com nível de confiança de 95%. 


Melhorias no ensino e aprendizagem, especialmente relacionadas aos professores (capacitação, formas de ensinar, aumento do número de docentes e redução das faltas), estão no centro das prioridades para os alunos, com 22% das respostas. 


Avanços na estrutura escolar, que vão de ar-condicionado à exigência de equipamentos, aparecem na sequência, com 20%. 


As escolas estaduais concentram 82% das matrículas de ensino médio no país, segundo o Censo Escolar de 2025. Nos anos finais do fundamental (do 6º ao 9º ano), representam 47% da rede pública. 


Ao apontarem os principais problemas do cotidiano, a indisciplina dos colegas em sala lidera com 40% das menções. Bullying e discriminação aparecem emparelhados com dificuldades de acesso à internet e equipamentos tecnológicos, ambos citados por 33%. 


Apesar desses apontamentos, predomina uma percepção positiva sobre as instituições de ensino: 69% avaliam a escola onde estudam como ótima ou boa. 


A percepção sobre a escola em que estudam vem acompanhada de visão negativa sobre determinados pontos. Nas escolas avaliadas como ruins ou péssimas, a escassez de docentes é criticada por 53% dos alunos, por exemplo. A taxa cai para 24% em unidades classificadas como ótimas ou boas. 


O que acontece dentro da sala de aula influencia muito a avaliação que o jovem tem da escola, diz o diretor de políticas públicas do Todos, Gabriel Corrêa. 

"Chama muito atenção que, quando os jovens são perguntados sobre o que deveria ser uma prioridade ou que faz uma escola ser boa, a pesquisa aponta para as questões de aprendizado", diz. 


A pesquisa mostra que 64% dos alunos relatam disciplinas que ficam sem professor por determinados períodos e 34% relatam que os professores faltam com frequência. Entre aqueles que avaliam pior suas escolas, a queixa sobre desfalque de professores atinge 83%. 


De acordo com Socorro Batista, presidente do Consed (órgão que representa secretários estaduais de Educação), garantir professor em todas as turmas "é condição básica", e o tema é tratado como prioridade no órgão. "A carência de docentes tem causas estruturais, que afetam todo o país: perda de atratividade da carreira, menor procura pelos cursos de licenciatura, aposentadorias e falta de profissionais habilitados em determinadas disciplinas e regiões", diz. 


Os pesquisadores foram a campo de 28 de maio a 13 de julho. Com relação aos seis meses anteriores, 36% dos estudantes responderam ter considerado abandonar os estudos ao menos uma vez. Essa proporção sobe para 57% entre estudantes que avaliam mal a escola. 

Entre os motivos para pensar em abandonar os estudos, 38% dos estudantes relatam vontade ou necessidade de trabalhar, seja para ter independência financeira, seja porque precisam ajudar em casa. 


A maioria dos alunos do ensino médio afirma que o programa Pé-de-Meia contribui para a permanência escolar. Para 59%, o programa de bolsas e poupança, criado pelo governo Lula (PT), ajuda muito na permanência, 35% dizem ajudar pouco, e 3% relatam que em nada colabora. 


A aprovação da escola é mais expressiva entre os alunos do ensino integral (74%) em comparação ao ensino regular (68%). 


Mais da metade (53%) dos estudantes que estudam no integral gostam da modalidade. 

Os dados do Censo Escolar mostram que 24% dos estudantes dos anos finais do fundamental estudam em tempo integral, e 27% do ensino médio. 


O interesse por esse tipo de escola varia. Enquanto 24% dizem que gostariam de estudar com certeza em tempo integral, 23% dizem que não topariam de jeito nenhum. 


Por outro lado, 49% gostariam de fazer ensino técnico, e somente 4% refutam. Entre os alunos dos anos finais do fundamental, 38% gostariam de cursar o técnico com o médio nos próximos anos. 


No ensino médio, o desejo de fazer faculdade mobiliza 61% dos estudantes, sendo que a maioria (41% do total), espera aliar com o trabalho. A pesquisa aponta que 12% planejam apenas trabalhar. 


A pesquisa também aborda percepção sobre os itinerários formativos, a parte de aprofundamento do currículo criada a partir da reforma do ensino médio. A possibilidade de escolher uma área de aprofundamento ou um itinerário está relacionada à avaliação da escola. 


Entre aqueles que afirmam ter conseguido escolher plenamente uma trajetória alinhada aos seus interesses, 90% avaliam a qualidade do itinerário como boa ou ótima. Entre os que tiveram pouca ou nenhuma possibilidade de escolha, o percentual é de 43%. 


A tecnologia na aprendizagem é percebida como presente na rotina escolar: 70% dos estudantes afirmam que os professores utilizam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana. 


Além do Todos, também patrocinaram a pesquisa a Fundação Itaú, a Fundação Lemann, a Fundação Telefônica Vivo, o Instituto Natura, o Instituto Sonho Grande e o Instituto Unibanco. 

 
 
 

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