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Trump chega à China para discutir Irã, Taiwan e comércio com Xi Jinping

  • Soteropolitano Notícias
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Foto: White House


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (13) à China, onde se reunirá com o líder chinês, Xi Jinping, para discutir assuntos considerados sensíveis, incluindo a guerra no Irã, tensões relacionadas à ilha de Taiwan e disputas comerciais e militares entre as duas potências. 


O americano chegou a Pequim pouco antes das 20h locais (9h no horário de Brasília), segundo a imprensa estatal chinesa. Ao desembarcar, foi recepcionado por uma comitiva liderada pelo vice-líder chinês, Han Zheng, e jovens com bandeiras dos dois países. O encontro com Xi deverá ocorrer às 10h de quinta (14) no horário local (23h de quarta em Brasília).


Antes de deixar Washington, Trump minimizou a importância de Pequim para uma eventual solução do conflito com o país persa e afirmou que os EUA vencerão "de uma forma ou de outra, pacificamente ou não". "Não acho que precisamos de ajuda com o Irã", afirmou o líder republicano a jornalistas.


Mais de um mês após um frágil cessar-fogo entrar em vigor, americanos e iranianos continuam distantes de um acordo. Washington exige que Teerã abandone seu programa nuclear e reabra o estreito de Hormuz, enquanto o regime de Teerã cobra compensações pelos danos da guerra, o fim do bloqueio americano e a interrupção dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, onde Israel combate o Hezbollah. 


Trump, contudo, já classificou as exigências iranianas de lixo. 


O estreito de Hormuz, por onde passavam cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, tornou-se o principal foco de tensão do conflito. Nesta quarta, um superpetroleiro chinês carregando cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraquiano tentava atravessar o estreito, segundo dados de rastreamento marítimo. Caso consiga completar o trajeto, será o terceiro navio da China conhecido a cruzar a região desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro. 


No encontro, Trump deverá discutir o assunto com Xi na expectativa de que a China use sua influência sobre Teerã e a própria necessidade de abastecimento energético para pressionar o regime a reabrir Hormuz. Na véspera da chegada do republicano, o chanceler chinês, Wang Yi pediu ao Paquistão intensifique seus esforços de mediação entre Teerã e Washington, segundo a agência estatal Xinhua. 


A viagem também ocorre sob forte tensão em torno de Taiwan. A China voltou a condenar, nesta quarta, as vendas de armas americanas para a ilha. A porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan da China, Zhang Han, afirmou que Pequim "se opõe firmemente" a qualquer cooperação militar entre Washington e Taipé. 


Em dezembro, o governo Trump anunciou um pacote militar de US$ 11 bilhões para Taiwan, o maior já aprovado pelos EUA. 


A questão ganhou ainda mais sensibilidade após o Parlamento taiwanês aprovar apenas dois terços de um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões proposto pelo presidente taiwanês, Lai Ching-te. O corte atingiu programas domésticos, como drones, embora tenha preservado compras de armamentos americanos. Autoridades taiwanesas temem que Pequim use a redução do orçamento como argumento para convencer Trump a diminuir o apoio militar à ilha. 


Para Pequim, a China continental e Taiwan são duas partes de uma só China. 

Na terça (13), Lai afirmou na Cúpula da Democracia de Copenhague que Taiwan é uma "nação soberana e independente" e que não cederá à pressão chinesa. Pequim respondeu de forma dura. Zhang afirmou que Taipé "nunca foi e nunca será um país" e disse que a capacidade chinesa de esmagar o separatismo é inquebrável. 


O clima eleitoral em Taiwan também aumenta a tensão política. O governista Partido Democrático Progressista, do presidente Lai, lançou nesta quarta a candidatura do deputado Puma Shen à Prefeitura de Taipei. 


Shen foi sancionado pela China em 2024 por apoiar iniciativas de defesa civil e combate à desinformação em Taiwan. Ele é um dos fundadores da Kuma Academy, organização que oferece treinamentos de preparação civil para uma eventual ofensiva chinesa contra a ilha. 


Ao apresentar o candidato, Lai afirmou que Shen compreende que "a maior ameaça à democracia e aos direitos humanos ainda vem da China". 


Enquanto Trump se prepara para encontrar Xi em Pequim, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pediu que o americano também discuta a invasão russa da Ucrânia durante a reunião. 


Assuntos relacionados a comércio também entrarão na pauta. Na terça, Trump disse que pediria a Xi que abrisse o país asiático aos negócios americanos. "Pedirei ao presidente Xi, um líder de extraordinária distinção, que 'abra' a China para que essas pessoas brilhantes possam fazer a sua magia e ajudar a levar a República Popular a um nível ainda mais elevado!", escreveu o presidente nas redes sociais, referindo-se aos CEOs de empresas americanas que o acompanham na viagem.

 
 
 

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